História do tratamento da água em Blumenau

A primeira ação no sentido de tratar água para consumo humano, em Blumenau, ocorreu na primeira década do século XX, quando os padres franciscanos construíram um sistema de tratamento de água para abastecer o Colégio Santo Antônio e o Convento, baseados na técnica de tratamento que haviam trazido da Europa. Este sistema também atendia famílias daquela região. A água era captada no mato, onde hoje se situa o Parque São Francisco, no centro da cidade. Até então a população retirava a água necessária para os afazeres do cotidiano diretamente de poços ou dos cursos de água.


A partir de 1915, quando começou a operar a primeira usina elétrica de Blumenau, a Usina Salto, algumas famílias moradoras da sede do município puderam instalar bombas elétricas em seus poços, para realizar a sucção da água, o que veio a dispensar o uso da força física.


Na sede do município, havia algumas edificações que possuíam água encanada, bombeada de rios para depósitos apropriados, de 100 ou 500 litros. Era o caso do prédio da Prefeitura, onde também funcionavam a Câmara Municipal e a Cadeia Pública. Algumas casas próximas também recebiam água, abastecidas por reservatório e rede construídas em 1924. Na mesma época, famílias no meio rural, quando a topografia do terreno permitia, improvisavam canalizações rudimentares, com caules de embaúba ou palmito, para que a água coletada em fontes e riachos pudesse escorrer em direção às propriedades.


A primeira tentativa de se implantar um sistema de abastecimento de água no município ocorreu em 1919, quando a Superintendência Municipal emitiu uma resolução concedendo por trinta anos os direitos para exploração dos serviços de abastecimento de água e rede de esgotos. A proposta, contudo, não prosperou, em decorrência de divergências entre as lideranças comunitárias.


O surgimento de doenças contagiosas e uma epidemia de febre tifóide e paratifo, em 1926, mobilizou a comunidade e a imprensa em favor de medidas em prol da saúde pública, através do tratamento da água consumida pela população. Mas a falta de recursos financeiros impedia a concretização de um sistema de água potável.


Com um empréstimo no valor de 3.500 contos de réis, pelo prazo de quinze anos para resgatar junto à Caixa Econômica Federal, a Prefeitura pode iniciar, em 1941, a implantação do primeiro sistema de tratamento, armazenamento e distribuição de água no município de Blumenau.


Em 25 de novembro de 1943 o sistema foi inaugurado com 43 quilômetros de rede com tubos de ferro de 300 milímetros de diâmetro, e em torno de 500 ligações domiciliares, localizadas no centro e nos bairros do Garcia, Itoupava Seca, Velha e Bom Retiro. A Estação de Tratamento de Água – ETA I, e os reservatórios para 4 milhões de litros de água, foram construídos no topo do morro da Boa Vista. Sua capacidade inicial de tratar 46 litros de água por segundo permitia atender uma população de 20 mil habitantes.


Ainda em 1943 a Prefeitura criou a Seção de Águas e instituiu o primeiro Regulamento do Serviço de Abastecimento de Água. Em apenas cinco anos o sistema chegou ao seu limite, atendendo 1.698 ligações. As grandes empresas passaram a suprir suas necessidades através de poços ou sistemas próprios de tratamento.


Não havia controle do consumo nas ligações existentes no sistema de abastecimento de água da cidade, o que motivou a Prefeitura, em 1952, a instalar os primeiros 2.000 hidrômetros importados da Alemanha. Dali em diante as taxas de água passaram a ser fixadas, conforme o consumo, provocando uma redução de um terço no consumo diário.


Mesmo assim, nos anos 1950, quando Blumenau comemorou seu centenário, o seu sistema de abastecimento de água encontrava-se totalmente superado. O sistema projetado em 1939 já era insuficiente antes mesmo de 1959, data fixada pelo projeto como limite para a capacidade da estação de tratamento. No início dos anos 1960 a Prefeitura determinava dias, horários e bairros onde a água deveria ser racionada, para que moradores de regiões elevadas e pontas de redes pudessem ter água potável, pelo menos em alguns dias da semana.


A solução encontrada veio com a criação do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto – SAMAE, através da Lei 1.370, de 11 de agosto de 1966. A autarquia municipal viabilizou o recebimento de financiamento para custear a construção de nova estação de tratamento e ampliação do sistema de distribuição. Através de convênio, o SAMAE passou a ser administrado pela Fundação SESP – Fundação Serviço Especial de Saúde Pública, de São Paulo, sendo que os procedimentos administrativos da autarquia passaram a seguir os parâmetros estabelecidos pela Fundação SESP. O convênio se manteve até l974, período em que foi concluído o novo sistema de abastecimento de água de Blumenau.


Com financiamento obtido nos Estados Unidos, o Samae iniciou a construção da ETA II, na Rua Bahia, com captação de água bruta na Usina Salto da Celesc. Foi construído também o R-1, reservatório com capacidade para 4 milhões de litros, na Itoupava Seca, e ampliada a rede para 142.153 metros, o dobro da existente em 1966. Todo o sistema – concluído em 1972, foi projetado para atender a demanda até 1990, quando Blumenau teria 173 mil habitantes.


Antes deste prazo, contudo, em razão do crescimento da cidade, o sistema sofreu novo colapso, exigindo uma frota de 11 caminhões-pipa para atender mais de 2 mil famílias não abastecidas pela rede.


Em 1989 um novo Plano Diretor de Abastecimento de Água começou a ser implantado. A capacidade da ETA II passou de 450 para 840 litros por segundo. Duas novas estações de tratamento foram construídas: a ETA III – 400 litros por segundo, no Garcia, e ETA IV – 20 litros por segundo, na Vila Itoupava.